Cadê Guincho: como Diego Pereira saiu do volante e criou o “Uber dos Guinchos”
O ecossistema brasileiro de inovação costuma ser associado a escritórios modernos, investidores e profissionais de tecnologia.
Entretanto, algumas das soluções mais relevantes não surgem dentro de salas de reunião.
Elas nascem da experiência de quem conhece um problema por dentro.
Foi assim com Diego Pereira, fundador do Cadê Guincho, plataforma conhecida como o “Uber dos Guinchos”.
Antes de se tornar empreendedor de tecnologia, Diego trabalhava diretamente na operação de reboque de veículos no Jardim Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo. Ele conhecia a rotina dos guincheiros, entendia as dificuldades enfrentadas pelos motoristas e acompanhava diariamente a desorganização do setor de assistência veicular.
De um lado, havia pessoas vulneráveis, paradas na rua porque o carro havia quebrado.
Do outro, existiam milhares de guincheiros autônomos esperando por novos chamados.
O problema não era necessariamente a falta de prestadores.
Era a dificuldade de conectar rapidamente o motorista ao guincho disponível mais próximo.
Em entrevista ao podcast Hugo Jordão Entrevista, Diego contou como transformou essa percepção em uma plataforma presente em mais de 5.080 municípios brasileiros, com mais de 22 mil guinchos ativos, aproximadamente 1 milhão de usuários B2C e mais de 16 milhões de buscas processadas.
A trajetória começou de maneira extremamente simples: um aplicativo com apenas um botão.
Quem é Diego Pereira?
Diego Pereira é empreendedor, profissional de tecnologia e fundador do Cadê Guincho, plataforma criada para conectar motoristas que precisam de assistência veicular aos prestadores de guincho disponíveis mais próximos.
Antes de fundar a empresa, Diego trabalhou diretamente como motorista de caminhão de reboque.
Sua experiência na operação permitiu que conhecesse as dificuldades enfrentadas pelos dois lados do mercado.
Ele sabia como era atender pessoas com o veículo quebrado e também conhecia a realidade dos guincheiros autônomos, que muitas vezes possuíam capacidade para realizar mais atendimentos, mas não conseguiam acesso aos chamados das grandes empresas.
Ao cursar Ciência da Computação, Diego percebeu que poderia utilizar tecnologia e geolocalização para aproximar essas duas pontas.
Essa combinação entre experiência operacional e conhecimento técnico deu origem ao Cadê Guincho.
O que é o Cadê Guincho?
O Cadê Guincho é uma plataforma de assistência veicular que conecta motoristas, empresas e órgãos públicos a prestadores de guincho espalhados pelo Brasil.
A solução utiliza tecnologia e geolocalização para identificar profissionais disponíveis próximos ao local da ocorrência.
O objetivo é reduzir o tempo necessário para encontrar atendimento, facilitar a gestão dos chamados e ampliar as oportunidades para prestadores de serviço.
A plataforma começou atendendo diretamente pessoas que precisavam de um guincho.
Com o crescimento da operação, também passou a atender o mercado corporativo e órgãos públicos.
Atualmente, o Cadê Guincho possui uma rede com mais de 22 mil guinchos ativos e está presente em mais de 5.080 municípios brasileiros.
Por que o Cadê Guincho é chamado de “Uber dos Guinchos”?
A comparação acontece porque a plataforma utiliza uma lógica semelhante à dos aplicativos de mobilidade.
Quando uma pessoa precisa de atendimento, a tecnologia procura conectá-la a um prestador disponível próximo à sua localização.
Antes dessas plataformas, o usuário normalmente precisava procurar números de telefone, ligar para diferentes empresas, explicar onde estava e aguardar uma estimativa.
O Cadê Guincho organiza essa conexão utilizando dados e geolocalização.
A comparação com a Uber ajuda o público a compreender rapidamente a proposta:
o usuário solicita ajuda;
a plataforma identifica sua localização;
prestadores próximos podem ser acionados;
o atendimento é acompanhado por tecnologia;
a distância entre o problema e a solução é reduzida.
Apesar da comparação, o mercado de assistência veicular possui particularidades próprias.
Um atendimento de guincho pode envolver diferentes veículos, equipamentos, distâncias, condições de acesso e tipos de ocorrência.
Por isso, a tecnologia precisa considerar uma operação mais complexa do que simplesmente transportar uma pessoa de um ponto a outro.
A origem do Cadê Guincho no Jardim Sapopemba
A história da plataforma começou no Jardim Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo.
Diego trabalhava com um caminhão de reboque e acompanhava de perto as dificuldades do setor.
Ele não analisava o mercado apenas por meio de relatórios ou pesquisas.
Vivenciava os problemas diariamente.
Quando um carro quebrava, o motorista precisava encontrar uma solução em um momento de vulnerabilidade.
Muitas vezes, estava em um local desconhecido, exposto ao trânsito, ao sol ou à chuva.
Enquanto isso, o guincheiro poderia estar próximo e disponível, mas não possuía nenhum meio eficiente de saber que havia alguém precisando de atendimento naquela região.
Diego percebeu que a dificuldade estava na conexão.
A demanda existia.
Os prestadores também existiam.
Faltava uma infraestrutura capaz de aproximá-los.
O que acontecia quando um carro quebrava?
Antes da popularização de soluções digitais de assistência, um motorista com o veículo quebrado precisava recorrer aos próprios contatos.
As alternativas normalmente eram:
ligar para familiares;
pedir indicação para amigos;
telefonar para o mecânico de confiança;
procurar números de guincho;
solicitar ajuda em postos ou estabelecimentos próximos;
ligar para diferentes prestadores;
aguardar o retorno de alguém disponível.
Esse processo poderia ser demorado.
O mecânico de confiança, por exemplo, talvez conhecesse um guincheiro, mas esse profissional poderia estar distante do local da ocorrência.
A distância aumentava o tempo de espera e o custo do serviço.
Além disso, o motorista nem sempre sabia explicar com precisão onde estava.
Sem uma localização clara, o prestador também encontrava dificuldades para chegar ao ponto correto.
Dez minutos podem parecer horas para quem está vulnerável
Diego conhecia o impacto emocional de uma pane.
Para quem está seguro em casa ou no escritório, esperar dez minutos parece pouco.
Para quem está parado na rua, sob o sol, dentro de um veículo com defeito ou em uma região desconhecida, o tempo é percebido de outra maneira.
A pessoa não está procurando apenas um prestador.
Está procurando segurança.
Ela deseja saber:
se alguém recebeu o chamado;
quando o atendimento chegará;
quem será o prestador;
quanto o serviço custará;
para onde o veículo poderá ser levado;
se aquele profissional é confiável;
o que deve fazer enquanto espera.
A ansiedade aumenta quando não existem informações claras.
Por isso, a experiência de assistência não depende apenas da velocidade física do guincho.
Também depende da comunicação e da previsibilidade.
O problema enfrentado pelos guincheiros autônomos
Enquanto os motoristas tinham dificuldade para encontrar atendimento, muitos guincheiros permaneciam disponíveis aguardando novos serviços.
Grande parte desses prestadores trabalhava de maneira autônoma.
Eles conheciam profundamente a operação, mas enfrentavam dificuldades para organizar e expandir o negócio.
Entre os principais obstáculos estavam:
falta de CNPJ;
impossibilidade de emitir nota fiscal;
dificuldade de acesso às grandes empresas;
ausência de chamados recorrentes;
dependência de indicações;
períodos longos sem atendimento;
pouca previsibilidade de receita;
falta de ferramentas digitais;
dificuldade para divulgar os serviços;
baixa capacidade administrativa.
Uma grande empresa pode precisar de atendimento em diferentes cidades, mas não consegue trabalhar informalmente com cada prestador.
São necessários documentos, registros, padrões e meios de controle.
O guincheiro autônomo, por sua vez, pode prestar um bom serviço e ainda assim permanecer fora dessas operações por não possuir a estrutura exigida.
Havia guinchos disponíveis, mas faltava distribuição
Um dos grandes problemas do setor não era a ausência total de oferta.
Era a distribuição inadequada dos chamados.
Em determinada região, um prestador poderia estar parado.
Poucos quilômetros adiante, alguém aguardava socorro.
Sem uma plataforma de conexão, essas duas partes não se encontravam.
O cliente acabava acionando um guincho distante, enquanto o profissional próximo permanecia sem trabalho.
Esse desencontro gerava:
mais tempo de espera;
deslocamentos desnecessários;
custos maiores;
desperdício de combustível;
baixa produtividade;
insatisfação;
dificuldade para escalar o atendimento.
Diego percebeu que a geolocalização poderia reduzir essa ineficiência.
A solução nasceu de uma dor real
Muitas startups começam com uma hipótese.
No caso do Cadê Guincho, a hipótese foi construída a partir da experiência diária.
Diego sabia que o motorista desejava atendimento rápido.
Também sabia que o guincheiro precisava de mais chamados.
A pergunta era como conectar essas necessidades.
A tecnologia oferecia uma possibilidade.
Um aplicativo poderia localizar o usuário, identificar prestadores próximos e facilitar o contato.
Atualmente, essa lógica parece intuitiva.
Naquele momento, porém, o mercado ainda era fortemente dependente de telefone, indicação e controles manuais.
Transformar uma atividade tradicional em uma plataforma digital exigia validar se as pessoas realmente utilizariam a solução.
A entrada de Diego na Ciência da Computação
Enquanto trabalhava com reboque, Diego cursava Ciência da Computação.
A formação ampliou sua capacidade de enxergar a tecnologia como uma ferramenta para resolver problemas concretos.
Ele não começou necessariamente com o objetivo de criar uma startup.
Também não dominava inicialmente o vocabulário comum do ecossistema de inovação.
Termos como startup, MVP, validação, tração e escalabilidade ainda não faziam parte de sua rotina.
Mesmo assim, aplicou na prática um dos princípios mais importantes da criação de produtos digitais: testar a ideia com a menor estrutura possível.
O primeiro aplicativo do Cadê Guincho não possuía todos os recursos imaginados.
Ele tinha apenas um botão.
O primeiro aplicativo tinha um único botão
A primeira versão do Cadê Guincho foi lançada na Play Store com uma funcionalidade extremamente simples.
Na tela, havia apenas um botão.
Quando o usuário tocava nele, o aplicativo realizava uma ligação para o telefone de Diego.
Não havia uma rede totalmente automatizada.
Não existia um sistema sofisticado de distribuição.
O aplicativo ainda não executava toda a operação que a plataforma faria no futuro.
Sua principal função era comprovar se as pessoas procurariam aquele tipo de serviço.
A simplicidade permitiu colocar a ideia no mercado rapidamente.
O que é um MVP?
MVP é a sigla de Minimum Viable Product, expressão traduzida como Produto Mínimo Viável.
Trata-se da versão mais simples de uma solução capaz de testar sua principal proposta de valor com usuários reais.
Um MVP não precisa possuir todas as funcionalidades do produto final.
Ele precisa responder às dúvidas mais importantes do negócio.
No caso do Cadê Guincho, algumas dessas dúvidas poderiam ser:
as pessoas procurariam um guincho por aplicativo?
elas fariam download da ferramenta?
utilizariam o botão para pedir atendimento?
em quais cidades surgiriam chamados?
qual seria a frequência da demanda?
os guincheiros aceitariam participar da rede?
seria possível organizar os atendimentos?
A primeira versão ajudou a responder essas perguntas sem exigir, inicialmente, uma plataforma completa.
Diego criou um MVP antes de conhecer o termo
Um ponto marcante da história é que Diego ainda não sabia o que significava MVP.
Ele não começou seguindo um manual de startups.
A decisão de criar uma versão simples nasceu da realidade.
Desenvolver toda a estrutura exigiria tempo e dinheiro.
Antes de realizar um grande investimento, ele precisava descobrir se as pessoas utilizariam o serviço.
A solução foi criar o mínimo necessário para permitir uma interação real.
Essa experiência demonstra que os princípios da inovação nem sempre aparecem primeiro como conceitos acadêmicos.
Muitas vezes, eles são descobertos pela prática.
Mais de 5 mil downloads em menos de três meses
O resultado inicial surpreendeu Diego.
Em menos de três meses, o aplicativo ultrapassou 5 mil downloads orgânicos.
Isso aconteceu sem um grande investimento publicitário.
As pessoas encontravam a solução e demonstravam interesse.
O número de downloads não significava, sozinho, que o negócio estava totalmente validado.
Entretanto, indicava que havia uma dor real.
O público estava disposto a instalar um aplicativo para procurar assistência veicular.
Mais importante do que a quantidade de instalações era o comportamento das pessoas.
Elas clicavam no botão e realizavam chamadas.
A demanda deixou de ser apenas uma percepção pessoal de Diego.
Passou a ser comprovada por usuários reais.
Downloads não são iguais a clientes
No desenvolvimento de um produto digital, uma métrica isolada pode produzir conclusões erradas.
Ter downloads é positivo, mas é necessário observar o que acontece depois.
Uma pessoa pode instalar um aplicativo e nunca utilizá-lo.
Por isso, a validação precisa considerar diferentes comportamentos:
quantos usuários abriram o aplicativo;
quantos acionaram o botão;
quantos solicitaram atendimento;
quantos chamados foram concluídos;
quais problemas apareceram;
de onde vinham as solicitações;
quantas pessoas voltaram a utilizar;
quais reclamações eram recorrentes.
No Cadê Guincho, as ligações recebidas mostravam que o interesse não era apenas teórico.
Os usuários realmente precisavam do serviço.
O sucesso inicial criou um problema operacional
A primeira versão provou que existia demanda.
Ao mesmo tempo, criou um novo desafio.
Todas as solicitações chegavam ao telefone de Diego.
A tecnologia atraía os usuários, mas a operação ainda era manual.
Era necessário:
atender a ligação;
compreender o problema;
identificar a localização;
encontrar um guincheiro;
verificar a disponibilidade;
negociar o atendimento;
acompanhar o deslocamento;
atualizar o cliente;
controlar as informações.
À medida que os downloads aumentavam, o volume de trabalho crescia.
O aplicativo era simples.
O atendimento por trás dele, porém, tornou-se cada vez mais complexo.
Jéssica e a família entraram na operação
Diego não conduziu essa fase sozinho.
Sua esposa, Jéssica, publicitária e cofundadora da empresa, passou a participar diretamente dos atendimentos e do desenvolvimento do negócio.
Outros familiares também ajudaram.
A operação funcionava 24 horas por dia.
As chamadas chegavam por Nextel e eram controladas em planilhas de Excel.
O que parecia ser apenas um botão na tela escondia uma estrutura humana improvisada.
A família precisava conectar motoristas e guincheiros em diferentes regiões do Brasil.
A experiência revelava quais etapas precisariam ser automatizadas futuramente.
O Excel como central de operações
Antes de possuir uma plataforma robusta, o Cadê Guincho utilizava ferramentas acessíveis.
As solicitações eram registradas e acompanhadas por meio de planilhas.
O Excel ajudava a organizar informações como:
nome do cliente;
telefone;
localização;
tipo de veículo;
problema apresentado;
prestador acionado;
horário da solicitação;
andamento do atendimento;
conclusão do serviço.
Esse controle possuía limitações, especialmente com o crescimento do volume.
Entretanto, cumpriu uma função importante durante a validação.
A empresa conseguia aprender sobre a operação antes de investir em uma infraestrutura mais complexa.
Fazer manualmente antes de automatizar
Muitas empresas tentam automatizar um processo que ainda não compreendem completamente.
O risco é construir uma tecnologia baseada em suposições.
Ao operar manualmente, Diego e Jéssica conseguiram observar:
como os clientes explicavam o problema;
quais informações eram indispensáveis;
onde surgiam os erros;
por que os atendimentos atrasavam;
como os guincheiros respondiam;
quais ocorrências eram mais difíceis;
que dados precisavam ser registrados;
quais etapas poderiam ser automatizadas;
onde a intervenção humana continuava necessária.
A operação manual era desgastante, mas gerava conhecimento.
Esse aprendizado ajudou a orientar a evolução da plataforma.
A importância de Jéssica na construção da empresa
Jéssica participou como cofundadora e esteve presente em uma das fases mais difíceis da operação.
Sua formação em publicidade também contribuía para uma dimensão que ia além do desenvolvimento técnico.
Uma plataforma precisa ser compreendida pelo público.
É necessário comunicar:
o problema resolvido;
como utilizar o serviço;
por que confiar;
quais vantagens existem;
como os prestadores podem participar;
de que forma as empresas podem contratar.
Tecnologia e comunicação precisavam caminhar juntas.
Enquanto Diego carregava o conhecimento operacional e técnico, Jéssica ajudava a sustentar o atendimento e a construção da empresa.
A família como primeira equipe
Nos estágios iniciais de muitos negócios, a estrutura formal ainda não existe.
Os fundadores recorrem às pessoas próximas para conseguir atender os primeiros clientes.
No Cadê Guincho, a família participou de uma operação que funcionava continuamente.
Essa fase demonstra a diferença entre ter uma ideia e sustentar sua execução.
O aplicativo poderia atrair milhares de usuários.
Se ninguém atendesse às ligações ou encontrasse os prestadores, a reputação seria rapidamente prejudicada.
A família funcionou como a primeira estrutura de apoio para que a tese pudesse continuar sendo testada.
Como o Cadê Guincho validou sua ideia?
A validação aconteceu por meio de sinais concretos.
Entre eles estavam:
mais de 5 mil downloads orgânicos em menos de três meses;
ligações reais de pessoas buscando assistência;
solicitações vindas de diferentes regiões;
guincheiros interessados em receber chamados;
necessidade de uma operação permanente;
crescimento do volume de atendimentos;
confirmação de que havia demanda dos dois lados.
A ideia não foi validada apenas porque outras pessoas disseram que parecia boa.
Ela foi testada em condições reais.
Usuários enfrentando problemas utilizaram o serviço.
Prestadores aceitaram participar.
A operação começou a acontecer.
O desafio de transformar um protótipo em plataforma
O primeiro aplicativo comprovou a demanda, mas não possuía estrutura suficiente para atender o crescimento.
Uma plataforma nacional de assistência precisa lidar com diferentes desafios:
localização;
disponibilidade dos prestadores;
segurança dos dados;
cadastro;
documentação;
distribuição dos chamados;
acompanhamento;
integração;
controle financeiro;
comunicação;
histórico;
estabilidade;
escalabilidade.
Um erro pode afetar alguém parado na rua.
Por isso, a plataforma precisa funcionar com segurança e confiabilidade.
Diego precisava transformar uma operação sustentada por telefone e Excel em uma infraestrutura tecnológica capaz de processar milhares de interações.
A fusão com a Função Sistemas
Para avançar, o Cadê Guincho realizou uma fusão com a Função Sistemas, uma software house com mais de 30 anos de experiência.
A empresa possuía atuação especializada em sistemas de controle de carteira de crédito bancário.
Essa experiência indicava familiaridade com operações que exigem:
segurança;
estabilidade;
processamento de dados;
controle;
confiabilidade;
integração;
escalabilidade.
A união permitiu que o Cadê Guincho deixasse de depender apenas da estrutura inicial e avançasse na construção de uma plataforma mais robusta.
Por que uma sociedade estratégica pode acelerar uma startup?
Uma startup pode possuir conhecimento profundo sobre um problema e ainda enfrentar limitações técnicas, financeiras ou operacionais.
Nesse cenário, uma sociedade estratégica pode acrescentar competências complementares.
O fundador precisa avaliar o que falta para a empresa avançar.
No caso do Cadê Guincho, a Função Sistemas acrescentou experiência tecnológica e infraestrutura.
A parceria contribuiu para:
fortalecer a segurança;
melhorar a arquitetura do sistema;
aumentar a capacidade de processamento;
estruturar integrações;
atender empresas maiores;
reduzir riscos tecnológicos;
preparar a operação para crescer.
A decisão mostra que escalar nem sempre significa fazer tudo sozinho.
Sociedade não deve ser escolhida apenas pelo dinheiro
Um investidor pode oferecer capital.
Um sócio estratégico pode oferecer capital, conhecimento, tecnologia, acesso a mercado e capacidade de execução.
Isso não significa que toda sociedade seja positiva.
A escolha exige alinhamento em temas como:
visão de longo prazo;
participação;
responsabilidades;
tomada de decisão;
cultura;
objetivos;
propriedade intelectual;
saída;
investimentos futuros;
divisão de resultados.
No caso apresentado por Diego, a fusão trouxe uma capacidade técnica relacionada às necessidades da plataforma.
A complementaridade ajudou a sustentar a expansão.
A entrada no mercado B2B
O Cadê Guincho começou resolvendo uma necessidade do consumidor final.
Com o desenvolvimento da plataforma, passou a atender também outras empresas.
Esse movimento representa a entrada no mercado B2B, sigla para business to business.
No B2C, a solução atende diretamente o consumidor.
No B2B, atende organizações que precisam utilizar a rede e a tecnologia em suas próprias operações.
Uma grande empresa pode ter veículos, colaboradores ou clientes espalhados por diferentes regiões.
Manter uma rede própria de guincheiros em todo o país seria complexo.
Ao utilizar uma plataforma com prestadores distribuídos, consegue ampliar sua capacidade de atendimento.
Por que o mercado corporativo precisava da solução?
Grandes empresas enfrentam desafios diferentes dos usuários individuais.
Elas precisam de:
cobertura geográfica;
padronização;
documentos;
relatórios;
rastreabilidade;
controle dos chamados;
integração;
previsibilidade;
segurança;
indicadores;
conformidade;
acompanhamento dos serviços.
Também precisam localizar prestadores em regiões afastadas dos grandes centros.
Uma operação baseada apenas em contatos informais não oferece o controle necessário.
O Cadê Guincho passou a organizar uma rede capaz de atender essas demandas.
Mais de 200 grandes empresas e órgãos públicos
Dez anos após a fundação, a plataforma atende mais de 200 grandes empresas e órgãos públicos.
Entre os exemplos citados por Diego estão o Ibama e o ICMBio.
Essas instituições podem operar em regiões remotas, nas quais encontrar rapidamente um prestador representa um desafio significativo.
O atendimento nesses locais exige uma rede extensa e conhecimento sobre a disponibilidade regional.
Uma plataforma nacional consegue consultar sua base para identificar possibilidades próximas, mesmo fora das capitais e regiões mais densas.
Essa capilaridade torna-se um diferencial.
A importância de atender regiões isoladas
A assistência veicular é relativamente mais simples em grandes centros urbanos.
Nessas regiões, existe maior concentração de prestadores e infraestrutura.
Em locais afastados, a realidade muda.
Pode haver:
longas distâncias;
poucos guincheiros;
baixa conectividade;
estradas de difícil acesso;
pouca disponibilidade imediata;
veículos específicos;
ausência de oficinas próximas;
dificuldade para confirmar a localização.
Órgãos que atuam em áreas ambientais e regiões remotas precisam de uma rede capaz de localizar recursos onde a oferta é limitada.
A presença em milhares de municípios aumenta a possibilidade de atendimento.
Mais de 22 mil guinchos ativos
O Cadê Guincho possui mais de 22 mil guinchos ativos cadastrados.
Uma rede desse tamanho permite distribuir os atendimentos por diferentes regiões.
Entretanto, quantidade não é o único fator relevante.
A plataforma também precisa saber:
onde o prestador está;
se está disponível;
quais veículos consegue transportar;
que equipamento possui;
quais documentos apresentou;
qual distância consegue percorrer;
como foi seu desempenho;
quais serviços está autorizado a realizar.
Uma rede extensa precisa ser acompanhada por tecnologia e processos.
Caso contrário, o crescimento do cadastro não se transforma em capacidade real de atendimento.
Um milhão de usuários B2C
A plataforma também alcançou aproximadamente 1 milhão de usuários B2C.
Esse número indica a presença do Cadê Guincho entre consumidores que procuram diretamente o serviço.
O mercado B2C possui características próprias.
O usuário geralmente acessa a plataforma durante uma situação de urgência.
Ele não dispõe de muito tempo para aprender como o sistema funciona.
Por isso, a experiência precisa ser simples.
Quanto maior a tensão do momento, menor deve ser a complexidade da interação.
A pessoa precisa compreender rapidamente como solicitar atendimento e acompanhar o processo.
Presença em 5.080 municípios brasileiros
O Cadê Guincho está presente em mais de 5.080 municípios.
O Brasil possui uma grande extensão territorial e realidades regionais muito diferentes.
Construir capilaridade em milhares de cidades exige mais do que publicidade.
É necessário formar, organizar e manter uma rede de prestadores.
A presença territorial também fortalece a proposta para empresas nacionais.
Em vez de contratar soluções diferentes em cada região, a organização pode utilizar uma plataforma com cobertura ampla.
Essa capacidade transforma uma dor local em um negócio nacional.
Mais de 16 milhões de buscas processadas
Ao longo de sua trajetória, o Cadê Guincho processou mais de 16 milhões de buscas.
As buscas representam interações de usuários e operações procurando atendimento dentro da rede.
Esse volume gera conhecimento sobre o mercado.
A plataforma pode identificar padrões relacionados a:
regiões com maior demanda;
horários de pico;
disponibilidade de prestadores;
distâncias;
tipos de ocorrência;
necessidades de cobertura;
gargalos operacionais;
comportamentos dos usuários.
Esses dados podem contribuir para melhorar a distribuição e o planejamento.
Entretanto, o uso precisa respeitar segurança, privacidade e responsabilidade.
80% da operação funciona de forma automatizada
Segundo Diego, aproximadamente 80% das operações funcionam de maneira completamente automatizada.
A tecnologia utiliza recursos como geolocalização para organizar os atendimentos sem exigir intervenção humana no contato inicial.
Isso permite que o sistema:
receba a solicitação;
identifique a localização;
procure prestadores;
distribua o chamado;
registre o andamento;
atualize informações;
acompanhe etapas.
A automação reduz o volume de tarefas repetitivas e aumenta a capacidade da plataforma.
Uma equipe humana limitada dificilmente conseguiria atender manualmente uma operação nacional com a mesma velocidade.
Por que 100% da operação não é automatizada?
Nem toda situação segue o fluxo esperado.
Alguns atendimentos são mais complexos.
Podem existir:
localização incorreta;
falta de prestadores próximos;
veículo especial;
área de difícil acesso;
problema de comunicação;
cliente emocionalmente abalado;
divergências;
falhas técnicas;
mudança do destino;
riscos de segurança.
Nesses casos, a intervenção humana torna-se necessária.
A automação consegue resolver o volume previsível.
As pessoas concentram-se nas exceções e nos problemas que exigem interpretação.
Esse modelo combina escala tecnológica com suporte humano.
Como a geolocalização transforma a assistência veicular?
A geolocalização permite identificar a posição do usuário e comparar sua localização com os prestadores cadastrados.
Isso reduz a dependência de explicações imprecisas.
O sistema consegue organizar o atendimento considerando a proximidade.
Os benefícios podem incluir:
menor tempo de espera;
redução do deslocamento;
melhor aproveitamento dos prestadores;
menor consumo de combustível;
diminuição de custos;
maior previsibilidade;
melhor distribuição dos chamados.
A geolocalização não elimina todos os desafios.
O prestador mais próximo nem sempre é o mais adequado.
É necessário considerar disponibilidade, equipamento e tipo de veículo.
A tecnologia precisa combinar diferentes critérios.
O crescimento trouxe desafios de liderança
No início, o maior desafio parecia ser criar a tecnologia.
Com o crescimento da empresa, Diego percebeu que a gestão de pessoas era ainda mais complexa.
Código pode ser corrigido.
Processos podem ser redesenhados.
Equipamentos podem ser substituídos.
Pessoas possuem histórias, expectativas e maneiras diferentes de reagir.
Uma equipe em expansão reúne:
gerações distintas;
diferentes níveis de experiência;
perfis comportamentais;
objetivos pessoais;
formas de comunicação;
ritmos de aprendizagem;
expectativas de carreira.
A liderança precisa criar unidade sem eliminar essas diferenças.
A maior dificuldade não estava na tecnologia
Diego destaca que a complexidade de uma empresa escalável não se resume à tecnologia nem à busca por investidores.
O desafio central está na gestão das pessoas.
Uma plataforma pode funcionar tecnicamente e ainda enfrentar problemas internos relacionados a:
comunicação;
cultura;
falta de alinhamento;
conflitos;
resistência;
perda de talentos;
liderança despreparada;
ausência de propósito;
dificuldade de execução.
Quanto maior a empresa, mais importante se torna a capacidade de traduzir o objetivo do negócio para diferentes profissionais.
O líder não consegue executar tudo sozinho.
Precisa construir uma equipe que compreenda a direção.
A tentativa de mudar as pessoas
Uma das viradas de Diego como líder foi perceber que não conseguiria transformar todas as pessoas para que pensassem ou agissem como ele.
Líderes empreendedores frequentemente possuem uma relação intensa com a empresa.
Eles conhecem a origem, lembram-se das dificuldades e sentem que o negócio faz parte da própria vida.
Um colaborador pode respeitar essa história sem possuir exatamente o mesmo nível de envolvimento emocional.
Tentar obrigar todos a agir como o fundador gera frustração.
Diego passou a compreender que o papel do líder não é moldar todos à sua imagem.
É entender os perfis e alinhá-los ao propósito da empresa.
Entender antes de tentar transformar
Pessoas diferentes podem alcançar bons resultados de maneiras distintas.
Um colaborador pode ser mais comunicativo.
Outro pode preferir concentração e análise.
Um aprende rapidamente ao testar.
Outro precisa compreender primeiro a lógica.
Um procura estabilidade.
Outro deseja mudanças constantes.
O líder precisa identificar:
as forças de cada pessoa;
os limites;
as motivações;
a forma de comunicação;
as necessidades de desenvolvimento;
o papel mais adequado;
o nível de autonomia;
a relação com o propósito.
Compreender não significa aceitar qualquer comportamento.
Significa liderar com mais precisão.
As diferenças entre as gerações X, Y e Z
Diego chama atenção para o desafio de liderar profissionais de diferentes gerações.
Essas classificações não explicam completamente uma pessoa, mas ajudam a observar mudanças culturais.
A Geração X cresceu em um ambiente mais analógico e costuma ser associada à valorização da estabilidade, da experiência e da hierarquia.
A Geração Y acompanhou a transição tecnológica e pode valorizar crescimento, propósito e flexibilidade.
A Geração Z nasceu em um ambiente mais digital, com acesso rápido à informação e novas expectativas sobre trabalho e comunicação.
Essas características não são regras absolutas.
Profissionais da mesma geração podem ser completamente diferentes.
Entretanto, as mudanças de contexto influenciam comportamentos.
Como liderar diferentes gerações?
O líder precisa evitar a comparação baseada apenas em estereótipos.
Em vez de afirmar que determinada geração é descomprometida ou resistente, pode investigar as causas das diferenças.
Algumas ações ajudam na gestão multigeracional:
adaptar a comunicação;
explicar o propósito das tarefas;
definir expectativas claras;
reconhecer experiências;
criar oportunidades de troca;
oferecer feedback;
utilizar diferentes formas de aprendizagem;
estabelecer responsabilidades;
evitar generalizações;
aproximar pessoas com competências complementares.
Uma equipe diversa em idade pode unir conhecimento histórico, capacidade técnica, novas referências e familiaridade com tecnologias recentes.
Propósito não é apenas uma frase na parede
Para alinhar pessoas, Diego destaca a importância do propósito.
No Cadê Guincho, a atividade não se resume a movimentar veículos.
A plataforma atende pessoas que estão vulneráveis e precisam de ajuda.
Quando a equipe compreende esse contexto, percebe o impacto de seu trabalho.
Um erro no sistema não é apenas uma falha técnica.
Pode significar mais tempo de espera para alguém parado na rua.
Uma demora no atendimento não é somente um indicador abaixo da meta.
Pode aumentar a insegurança de uma família.
O propósito conecta a atividade diária ao resultado humano.
Como a inteligência artificial já é utilizada?
Diego afirma que a inteligência artificial já faz parte da rotina da empresa.
Na área de desenvolvimento, os profissionais utilizam assistentes de código.
Essas ferramentas podem ajudar a:
sugerir trechos;
identificar erros;
explicar funções;
acelerar tarefas repetitivas;
documentar processos;
comparar alternativas;
apoiar testes;
aumentar a produtividade.
A presença da IA não pertence apenas ao futuro.
Ela já modifica a maneira como equipes técnicas trabalham.
O desafio é utilizar essa capacidade com revisão, segurança e responsabilidade.
Assistentes de código substituem desenvolvedores?
Assistentes de código podem acelerar o trabalho, mas não eliminam a necessidade de profissionais qualificados.
A ferramenta pode gerar uma sugestão tecnicamente possível e ainda inadequada para a arquitetura, a segurança ou o objetivo do sistema.
O desenvolvedor precisa compreender:
a regra de negócio;
a infraestrutura;
os riscos;
as integrações;
a segurança;
a manutenção;
o impacto sobre os usuários.
A IA produz respostas com base no contexto recebido.
A responsabilidade pela implementação continua humana.
Em uma plataforma de assistência, falhas podem afetar operações reais e pessoas em situação de vulnerabilidade.
IA no atendimento ao cliente
O Cadê Guincho também projeta utilizar modelos de linguagem no atendimento.
Grande parte das interações iniciais é repetitiva.
Os usuários podem fazer perguntas semelhantes sobre:
funcionamento do serviço;
andamento da solicitação;
localização;
estimativa;
cadastro;
documentos;
formas de atendimento;
atualização de dados.
A IA pode responder rapidamente a essas demandas e reduzir o volume direcionado à equipe humana.
Isso permite que os profissionais se concentrem nos casos mais complexos.
A IA consegue atender uma pessoa vulnerável?
Diego reconhece os limites da automação.
Um cliente parado na rua pode estar assustado, frustrado ou inseguro.
Talvez esteja acompanhado de crianças.
Pode estar em um local perigoso ou ter acabado de enfrentar um acidente.
Nessas situações, a pessoa não precisa apenas de uma resposta correta.
Precisa sentir que alguém compreendeu a gravidade do problema.
A IA pode fornecer informações e organizar etapas.
Entretanto, casos avançados de suporte ainda exigem empatia, julgamento e sensibilidade humana.
Automação e humanidade não são opostas
Automatizar o atendimento repetitivo pode melhorar a experiência humana.
Quando a tecnologia resolve rapidamente solicitações simples, a equipe ganha mais tempo para cuidar das exceções.
O problema surge quando a empresa utiliza a automação apenas para afastar o cliente, criando barreiras até que ele consiga falar com uma pessoa.
Uma boa estrutura combina:
automação para tarefas previsíveis;
informações claras;
acompanhamento;
opção de escalonamento;
suporte humano nos casos complexos;
registro das interações;
responsabilidade sobre as decisões.
A tecnologia precisa reduzir o sofrimento do cliente, não aumentar a sensação de abandono.
O perfeito é inimigo do feito
O principal conselho de Diego para novos empreendedores é não esperar a condição perfeita.
A primeira versão do Cadê Guincho prova esse princípio.
O aplicativo possuía somente um botão.
Se Diego tivesse esperado até construir uma plataforma com automação, geolocalização, rede nacional e integração corporativa, talvez nunca tivesse realizado o primeiro teste.
O produto inicial estava distante da estrutura atual.
Mesmo assim, cumpriu sua função.
Ele demonstrou que as pessoas procuravam aquele serviço.
“Trocar o pneu com o caminhão andando”
Diego utiliza a ideia de “trocar o pneu com o caminhão andando” para representar a necessidade de corrigir o negócio durante a execução.
A expressão não deve ser interpretada como incentivo à irresponsabilidade.
Ela descreve uma realidade comum às startups.
Nem todas as respostas estão disponíveis no começo.
A empresa precisa lançar, observar e melhorar.
Alguns problemas só aparecem quando usuários reais começam a utilizar a solução.
A execução produz informações que o planejamento isolado não consegue antecipar.
Feito é diferente de malfeito
Defender a ação não significa aceitar qualquer nível de qualidade.
Existem áreas em que segurança, legislação e proteção de dados não permitem improvisações perigosas.
A proposta do MVP é reduzir o produto ao essencial, não abandonar a responsabilidade.
Uma primeira versão pode ter poucas funcionalidades.
As que existem precisam funcionar de maneira suficiente para testar a proposta.
No Cadê Guincho, o botão não fazia tudo.
Mas realizava corretamente a ligação, permitindo que a equipe atendesse manualmente.
A simplicidade era intencional.
Testar a tese com o menor custo possível
Antes de investir grandes valores, Diego recomenda testar se o mercado realmente possui interesse.
Isso pode ser feito por meio de:
protótipo;
atendimento manual;
página de cadastro;
grupo inicial de clientes;
apresentação da proposta;
pré-venda;
piloto;
formulário;
versão limitada;
operação em uma única região.
O formato depende do negócio.
O objetivo é obter evidências reais.
Uma ideia elogiada por amigos não está necessariamente validada.
A validação acontece quando o público demonstra comportamento compatível com a proposta.
O risco de investir antes de validar
Um empreendedor pode gastar tempo e dinheiro construindo uma solução completa e descobrir que o mercado não deseja utilizá-la.
Isso acontece quando o desenvolvimento é baseado apenas na visão do fundador.
Os clientes podem considerar que:
o problema não é prioritário;
a solução é complicada;
o preço é alto;
já existe uma alternativa suficiente;
a ferramenta não transmite confiança;
a experiência não atende às necessidades;
a frequência de uso é muito baixa.
Um teste simples ajuda a identificar essas questões antes de um investimento maior.
No Cadê Guincho, os downloads e as ligações demonstraram que a dor existia.
A diferença entre ter uma ideia e construir uma empresa
A ideia inicial do Cadê Guincho pode ser explicada em uma frase: conectar quem precisa de um guincho ao prestador mais próximo.
Construir a empresa exigiu muito mais.
Foi necessário:
criar o aplicativo;
atender usuários;
cadastrar prestadores;
controlar chamados;
organizar dados;
formar uma equipe;
buscar infraestrutura;
construir uma sociedade;
desenvolver tecnologia;
atender empresas;
negociar;
liderar pessoas;
automatizar processos;
manter suporte;
expandir a cobertura.
A ideia iniciou o movimento.
A execução transformou-a em uma plataforma nacional.
O conhecimento do setor como vantagem competitiva
Diego não entrou no mercado de assistência apenas porque identificou uma oportunidade digital.
Ele conhecia a rotina do guincho.
Sabia como os atendimentos funcionavam, quais dificuldades apareciam e o que os prestadores enfrentavam.
Esse conhecimento permitiu construir uma solução conectada à realidade.
Fundadores que conhecem profundamente o problema conseguem identificar detalhes que não aparecem em pesquisas superficiais.
Eles compreendem a linguagem do setor, os comportamentos e as exceções.
A tecnologia se torna mais útil quando é criada com conhecimento operacional.
Inovação também acontece em setores tradicionais
O Cadê Guincho demonstra que inovação não significa inventar uma necessidade completamente nova.
Ela também pode modernizar uma atividade existente.
O serviço de reboque já existia.
Os guincheiros já trabalhavam.
Os motoristas já precisavam de assistência.
A inovação aconteceu na forma de conectar, localizar, distribuir e acompanhar os atendimentos.
Setores tradicionais podem conter grandes oportunidades quando ainda dependem de processos fragmentados.
Entre os sinais de oportunidade estão:
excesso de ligações;
uso de planilhas;
informalidade;
dificuldade para localizar prestadores;
falta de transparência;
atrasos;
trabalho repetitivo;
baixa integração;
dependência de indicações.
Da informalidade para a profissionalização
A plataforma também contribuiu para aproximar prestadores autônomos de operações maiores.
Para participar de contratos corporativos, os guincheiros precisam atender requisitos.
Isso pode estimular a profissionalização.
O prestador passa a compreender a importância de:
formalização;
documentação;
emissão de nota fiscal;
cumprimento de padrões;
registro das atividades;
qualidade do atendimento;
atualização dos dados;
responsabilidade.
A tecnologia não resolve sozinha todos os problemas da informalidade.
Entretanto, pode criar incentivos para que os profissionais se organizem e tenham acesso a novas oportunidades.
Da Zona Leste para milhares de municípios
A trajetória de Diego apresenta uma transformação de escala.
O problema foi observado em uma operação local no Jardim Sapopemba.
O primeiro teste recebeu solicitações de diferentes regiões.
A família passou a atender manualmente motoristas de todo o país.
A fusão fortaleceu a tecnologia.
O mercado B2B ampliou o alcance.
A rede chegou a mais de 5.080 municípios.
Essa evolução mostra como uma dor local pode representar uma necessidade nacional.
O fundador precisa verificar se o problema se repete em outros contextos.
No caso da assistência veicular, a dificuldade de conexão não estava restrita a São Paulo.
Principais lições da entrevista com Diego Pereira
A história do Cadê Guincho apresenta aprendizados para empreendedores, líderes e profissionais de tecnologia.
1. As melhores ideias podem nascer da experiência operacional
Diego identificou o problema porque trabalhava diretamente com guinchos e conhecia as dificuldades do setor.
2. Começar pequeno reduz o risco
O primeiro aplicativo possuía apenas um botão e foi suficiente para testar se havia demanda.
3. Validação exige comportamento real
Mais de 5 mil downloads e as ligações recebidas demonstraram que os usuários realmente procuravam o serviço.
4. O trabalho manual ajuda a compreender a operação
Antes de automatizar, Diego, Jéssica e a família atenderam chamados e organizaram as informações em planilhas.
5. A automação deve ser construída sobre processos compreendidos
A experiência manual mostrou quais etapas poderiam ser automatizadas e onde a intervenção humana continuaria necessária.
6. Parcerias estratégicas podem acelerar a escala
A fusão com a Função Sistemas acrescentou experiência, segurança e infraestrutura tecnológica.
7. O mercado B2B exige controle e confiabilidade
Grandes empresas precisam de cobertura, documentos, relatórios, acompanhamento e padronização.
8. Capilaridade é uma vantagem importante
Uma rede com mais de 22 mil guinchos permite atender milhares de municípios e regiões isoladas.
9. O maior desafio do crescimento pode estar nas pessoas
Diego percebeu que liderar gerações e perfis diferentes era mais complexo do que desenvolver tecnologia.
10. O líder precisa compreender antes de tentar mudar
Cada profissional possui motivações e formas de trabalhar diferentes.
11. Inteligência artificial deve aumentar a capacidade humana
A IA pode acelerar o desenvolvimento e automatizar atendimentos repetitivos.
12. Casos vulneráveis ainda exigem empatia
Quando o cliente está na rua e emocionalmente abalado, o suporte humano continua essencial.
13. O perfeito pode impedir o início
Esperar uma plataforma completa teria atrasado a validação da ideia.
14. O MVP precisa ser simples, mas funcional
Uma primeira versão não precisa fazer tudo. Precisa testar corretamente a proposta central.
15. A execução transforma uma ideia em empresa
O crescimento exigiu atendimento, tecnologia, rede, liderança, contratos e melhoria contínua.
Perguntas frequentes sobre Diego Pereira e o Cadê Guincho
1. Quem é Diego Pereira?
Diego Pereira é empreendedor, profissional de tecnologia e fundador do Cadê Guincho.
2. O que Diego fazia antes de criar a plataforma?
Ele trabalhava diretamente como motorista de caminhão de reboque no Jardim Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo.
3. O que é o Cadê Guincho?
É uma plataforma que conecta motoristas, empresas e órgãos públicos a prestadores de assistência veicular e guincho.
4. Por que a plataforma é chamada de “Uber dos Guinchos”?
Porque utiliza tecnologia e geolocalização para conectar quem precisa de assistência aos prestadores disponíveis mais próximos.
5. Onde surgiu a ideia?
A ideia surgiu a partir da experiência de Diego com a operação de guincho no Jardim Sapopemba.
6. Qual problema Diego identificou?
Ele percebeu que motoristas tinham dificuldade para encontrar socorro rápido, enquanto guincheiros próximos permaneciam sem chamados.
7. Diego cursava qual faculdade?
Ele cursava Ciência da Computação quando começou a desenvolver o projeto.
8. Como era o primeiro aplicativo?
A primeira versão possuía apenas um botão.
9. O que acontecia quando o usuário apertava o botão?
O aplicativo realizava uma ligação para o telefone de Diego.
10. Quantos downloads o primeiro aplicativo recebeu?
Foram mais de 5 mil downloads orgânicos em menos de três meses.
11. Diego sabia o que era um MVP?
Segundo seu relato, ainda não conhecia o conceito de Produto Mínimo Viável quando criou a primeira versão.
12. Como os primeiros chamados eram controlados?
Diego, Jéssica e seus familiares atendiam por telefone e organizavam as solicitações em planilhas de Excel.
13. Quem é Jéssica?
Jéssica é publicitária, esposa de Diego e cofundadora do Cadê Guincho.
14. A operação funcionava durante quanto tempo?
Na fase inicial, os atendimentos eram realizados 24 horas por dia.
15. O que é um MVP?
É uma versão simples de um produto criada para testar a proposta principal com usuários reais.
16. Com qual empresa o Cadê Guincho realizou uma fusão?
A plataforma realizou uma fusão com a Função Sistemas.
17. O que é a Função Sistemas?
É uma software house com mais de 30 anos de mercado e experiência em sistemas de controle de carteira de crédito bancário.
18. O que a fusão acrescentou?
A união fortaleceu a infraestrutura, a segurança dos dados e a capacidade de escala da plataforma.
19. Quantas empresas utilizam o Cadê Guincho?
Segundo os dados apresentados, a plataforma atende mais de 200 grandes empresas e órgãos públicos.
20. Quais órgãos públicos são citados?
Entre os exemplos mencionados estão o Ibama e o ICMBio.
21. Quantos guinchos ativos estão cadastrados?
A rede possui mais de 22 mil guinchos ativos.
22. Quantos usuários B2C a plataforma possui?
O Cadê Guincho alcançou aproximadamente 1 milhão de usuários B2C.
23. Em quantos municípios está presente?
A plataforma está presente em mais de 5.080 municípios brasileiros.
24. Quantas buscas já foram processadas?
Foram processadas mais de 16 milhões de buscas.
25. Quanto da operação é automatizado?
Aproximadamente 80% das operações funcionam de maneira automatizada.
26. Como a geolocalização ajuda?
Ela permite identificar prestadores próximos, reduzindo distâncias e o tempo necessário para encontrar atendimento.
27. Qual é o maior desafio de uma empresa escalável para Diego?
Segundo ele, a gestão de pessoas e de diferentes gerações pode ser mais complexa do que a tecnologia ou os investimentos.
28. Como Diego passou a enxergar a liderança?
Ele compreendeu que não deveria tentar mudar todas as pessoas, mas entender seus perfis e alinhá-los ao propósito da empresa.
29. Como o Cadê Guincho utiliza inteligência artificial?
A empresa já utiliza assistentes de código e projeta usar modelos de linguagem para automatizar atendimentos repetitivos.
30. A IA substituirá todo o atendimento?
Na visão de Diego, não. Os casos complexos, especialmente quando o cliente está vulnerável, ainda exigem empatia e sensibilidade humana.
31. Qual é o principal conselho de Diego para empreendedores?
Não esperar pelo produto perfeito. O ideal é testar a ideia no mercado com o menor custo possível.
32. O que significa “o perfeito é inimigo do feito”?
Significa que a busca por uma solução perfeita pode impedir o empreendedor de começar e aprender com o mercado.
33. O que significa “trocar o pneu com o caminhão andando”?
É uma metáfora para melhorar e corrigir o negócio enquanto ele já está em operação.
34. A primeira versão precisa ter todas as funcionalidades?
Não. Ela precisa possuir apenas o necessário para testar a proposta principal de forma responsável.
35. Qual é a principal mensagem da entrevista?
Problemas reais podem se transformar em negócios escaláveis quando o empreendedor conhece profundamente a dor, começa de forma simples, valida a demanda e aprende durante a execução.
Por que a história do Cadê Guincho é importante?
A trajetória de Diego Pereira mostra uma forma de inovação conectada à realidade brasileira.
A empresa não surgiu da tentativa de importar uma tendência para um setor desconhecido.
Nasceu do contato diário com motoristas, guincheiros, panes, atrasos e dificuldades operacionais.
Diego conhecia a dor porque fazia parte dela.
Essa proximidade permitiu identificar que o mercado não precisava apenas de mais guinchos.
Precisava de uma maneira mais eficiente de distribuir os chamados.
Ao transformar essa percepção em tecnologia, criou uma ponte entre a demanda e a oferta.
Da graxa para o código
A história de Diego conecta dois ambientes que muitas vezes parecem distantes.
De um lado, estava o trabalho no caminhão de reboque.
Do outro, a Ciência da Computação.
A experiência na rua forneceu o problema.
O conhecimento tecnológico ajudou a construir a solução.
Essa combinação representa uma vantagem importante.
Quem conhece somente a tecnologia pode construir algo distante da realidade operacional.
Quem conhece apenas a operação pode perceber o problema, mas encontrar dificuldades para transformá-lo em escala.
Diego reuniu as duas perspectivas.
Do botão para a plataforma nacional
O primeiro aplicativo não possuía geolocalização avançada, automação ou integrações corporativas.
Tinha um botão.
Esse botão, porém, gerou evidências.
As pessoas fizeram download.
As ligações começaram.
Os chamados chegaram de diferentes regiões.
A família precisou organizar o atendimento.
Cada dificuldade mostrava o que deveria ser desenvolvido depois.
O produto não nasceu pronto.
Foi construído a partir do comportamento real dos usuários.
Da operação manual para 80% de automação
A evolução do Cadê Guincho também mostra que automatizar é um processo.
No início, cada solicitação exigia intervenção humana.
Diego e sua família registravam os dados em planilhas e procuravam prestadores.
Com o tempo, a empresa transformou esse aprendizado em regras, sistemas e fluxos.
Atualmente, aproximadamente 80% da operação acontece de maneira automatizada.
A automação não eliminou completamente as pessoas.
Mudou o ponto em que elas participam.
Os atendentes podem concentrar-se nos casos que fogem do padrão e exigem julgamento.
Do consumidor para o mercado corporativo
O Cadê Guincho iniciou sua validação com pessoas que buscavam diretamente um guincho.
Depois, percebeu que a mesma infraestrutura poderia resolver problemas de grandes empresas.
A transição para o B2B ampliou o potencial da plataforma.
Empresas com operações nacionais precisam encontrar prestadores em diferentes cidades.
Órgãos públicos podem atuar em regiões remotas.
Uma rede distribuída consegue oferecer uma solução que seria difícil construir internamente.
A plataforma passou de um aplicativo de busca para uma infraestrutura de assistência.
Da informalidade para uma rede organizada
O setor possuía muitos prestadores autônomos.
Esses profissionais tinham conhecimento operacional, mas nem sempre conseguiam acesso às grandes empresas.
A plataforma ajuda a organizar a oferta e a conectar os guincheiros às oportunidades.
Para participar de determinadas operações, o prestador também precisa avançar em aspectos de formalização e qualidade.
A tecnologia torna-se um meio de inclusão econômica, mas exige profissionalização.
Essa dinâmica beneficia as duas pontas quando existe equilíbrio.
As empresas ampliam sua cobertura.
Os guincheiros acessam novos chamados.
Da tecnologia para a liderança
Depois de construir a plataforma, Diego descobriu que a dificuldade não terminava no código.
Crescer exigia liderar pessoas.
A empresa precisava reunir profissionais de diferentes gerações e especialidades em torno de um objetivo comum.
O fundador precisou abandonar a expectativa de que todos agiriam como ele.
Passou a compreender que liderar significa conhecer os perfis e criar alinhamento.
Essa mudança é comum em empresas que crescem.
O empreendedor começa executando quase tudo.
Posteriormente, precisa desenvolver outras pessoas para que o negócio deixe de depender exclusivamente dele.
Da automação para a empatia
A inteligência artificial amplia as possibilidades de automação.
Ela já ajuda os desenvolvedores e poderá assumir parte do atendimento repetitivo.
Entretanto, Diego estabelece um limite importante.
Uma pessoa parada na rua não está vivendo apenas um problema operacional.
Pode estar com medo, irritada ou vulnerável.
Nesse momento, a empatia humana possui valor.
O futuro da assistência veicular provavelmente será mais automatizado.
Mas a qualidade da experiência continuará dependendo da capacidade de reconhecer quando o cliente precisa falar com uma pessoa.
O que novos empreendedores podem aprender com Diego Pereira?
A trajetória do Cadê Guincho oferece um caminho prático.
O primeiro passo é conhecer profundamente o problema.
Em seguida, é necessário criar a versão mais simples capaz de testar a principal hipótese.
Depois, o empreendedor precisa observar como o mercado reage.
Se existirem sinais reais de demanda, começa o trabalho de estruturar a operação.
A escala vem posteriormente.
Ela pode exigir tecnologia, sócios estratégicos, processos, liderança e novas formas de comercialização.
O caminho pode ser resumido em cinco movimentos:
Vivenciar ou compreender profundamente a dor.
Criar uma solução mínima.
Testar com usuários reais.
Aprender com a operação.
Estruturar o crescimento.
A primeira versão não precisa se parecer com a empresa final.
O botão inicial do Cadê Guincho estava distante da plataforma presente em milhares de municípios.
Mesmo assim, foi o ponto de partida.
Conclusão
A entrevista de Diego Pereira ao podcast Hugo Jordão Entrevista apresenta a trajetória de um empreendedor que transformou experiência operacional em inovação tecnológica.
Antes de fundar o Cadê Guincho, Diego dirigia um caminhão de reboque no Jardim Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo.
Ele conhecia a angústia dos motoristas que permaneciam parados na rua aguardando atendimento.
Também conhecia a realidade dos guincheiros autônomos, que possuíam capacidade para trabalhar, mas enfrentavam informalidade e dificuldade para receber chamados recorrentes.
Ao cursar Ciência da Computação, Diego percebeu que a tecnologia poderia aproximar essas duas pontas.
Sua solução inicial foi extremamente simples.
O primeiro aplicativo do Cadê Guincho possuía apenas um botão.
Ao tocar na tela, o usuário realizava uma ligação para o telefone de Diego.
Ele ainda não conhecia o conceito de MVP.
Mesmo assim, havia criado um Produto Mínimo Viável.
A plataforma testava a pergunta mais importante: as pessoas utilizariam um aplicativo para procurar guincho?
A resposta apareceu rapidamente.
Em menos de três meses, o aplicativo recebeu mais de 5 mil downloads orgânicos.
Os usuários começaram a ligar e a operação tornou-se intensa.
Diego, sua esposa e cofundadora Jéssica e outros familiares passaram a atender solicitações 24 horas por dia.
As informações eram organizadas em planilhas de Excel e as comunicações aconteciam por Nextel.
A estrutura era improvisada, mas produzia aprendizado.
A equipe conseguia entender como os clientes explicavam os problemas, quais informações eram necessárias e onde surgiam os principais gargalos.
A demanda estava validada.
O próximo desafio era transformar o atendimento manual em uma plataforma segura e escalável.
A fusão com a Função Sistemas, software house com mais de 30 anos de experiência, acrescentou infraestrutura e conhecimento técnico.
A união permitiu que o Cadê Guincho avançasse na automação e na capacidade de atender operações maiores.
Dez anos depois, os números mostram o tamanho dessa evolução.
A plataforma atende mais de 200 grandes empresas e órgãos públicos, possui mais de 22 mil guinchos ativos, alcançou aproximadamente 1 milhão de usuários B2C e está presente em mais de 5.080 municípios brasileiros.
Também processou mais de 16 milhões de buscas.
Aproximadamente 80% das operações funcionam de forma automatizada, utilizando tecnologia e geolocalização.
A expansão para o mercado B2B transformou a plataforma em uma infraestrutura relevante para empresas e instituições que precisam de cobertura nacional.
Órgãos como Ibama e ICMBio enfrentam operações em regiões isoladas, onde encontrar um prestador pode ser difícil.
A rede do Cadê Guincho amplia a possibilidade de localizar atendimento mesmo fora dos grandes centros.
Entretanto, o crescimento trouxe um desafio que não poderia ser solucionado apenas pelo código.
Diego precisou aprender a liderar.
Sua principal mudança foi perceber que não deveria tentar transformar todas as pessoas para que agissem como ele.
O papel do líder é compreender os perfis, reconhecer as diferenças entre gerações e construir alinhamento com o propósito da empresa.
A tecnologia também continua evoluindo.
O Cadê Guincho já utiliza inteligência artificial no desenvolvimento, por meio de assistentes de código, e pretende aplicar modelos de linguagem ao atendimento repetitivo.
Ainda assim, Diego não acredita que toda a relação possa ser automatizada.
Quando o cliente está vulnerável na rua, a empatia e a sensibilidade humana permanecem indispensáveis.
A trajetória do Cadê Guincho mostra que inovação não precisa começar com uma estrutura sofisticada.
Pode começar com um caminhão, um problema conhecido de perto e um aplicativo com apenas um botão.
O primeiro produto não precisa ser perfeito.
Precisa ser suficiente para gerar aprendizado.
Como aconselha Diego, o empreendedor deve testar sua tese com o menor custo possível e evitar investir grandes valores antes de descobrir se os clientes realmente desejam a solução.
A perfeição pode atrasar o início.
A execução permite aprender.
Foi colocando uma versão simples no mercado, atendendo manualmente e melhorando durante o caminho que Diego transformou uma dor vivida nas ruas em uma plataforma nacional.
A história confirma seu principal ensinamento:
O perfeito é inimigo do feito.
Escrito por Hugo Jordão