Você morreria por Jesus, mas vive por Ele?
Daniel 6:10
“Assim que Daniel soube que esse decreto do rei havia sido proclamado, foi para casa, para o seu quarto no andar de cima, onde as janelas davam para Jerusalém. Ali orou, como costumava fazer cotidianamente, três vezes ao dia, ajoelhou-se, rogou e deu graças diante do seu Deus.”
Deus é bom demais! Mais um dia começando... Meu nome é Hugo Jordão e o tema do devocional de hoje é “Você morreria por Jesus, mas vive por Ele?”
Talvez você já tenha pensado:
“Se um dia eu precisasse escolher entre negar Jesus ou morrer, eu morreria por Ele.”
É uma declaração forte.
Mas existe uma pergunta ainda mais desconfortável:
Você está vivendo por Jesus hoje?
Porque pode ser relativamente fácil imaginar que seríamos fiéis em uma situação extrema que talvez nunca aconteça.
Mais difícil é ser fiel nas pequenas escolhas que aparecem todos os dias.
Não espere a cova dos leões para descobrir se você é fiel
Daniel 6 conta uma das histórias mais conhecidas da Bíblia.
Daniel era um homem respeitado, competente e íntegro. Sua excelência era tão evidente que o rei planejava colocá-lo acima dos demais governadores.
Isso despertou inveja.
Seus adversários começaram a procurar alguma coisa em sua vida que pudessem usar contra ele.
Mas encontraram um problema:
Não conseguiam encontrar corrupção, negligência ou desonestidade em Daniel.
Então perceberam que, para acusá-lo, precisariam atingir exatamente uma área:
sua fidelidade a Deus.
O decreto mudou. Daniel não.
Os homens convenceram o rei a estabelecer um decreto proibindo qualquer pessoa de fazer pedidos a qualquer deus ou homem durante trinta dias, exceto ao próprio rei.
A punição seria terrível:
A cova dos leões.
Daniel ficou sabendo.
Ele entendeu o risco.
Sabia exatamente o que poderia acontecer.
E então Daniel fez algo impressionante.
A Bíblia diz que ele foi para casa...
Abriu suas janelas.
Ajoelhou-se.
E orou.
Mas existe uma pequena frase no texto que muda completamente a maneira de enxergarmos essa história:
“Como costumava fazer cotidianamente.”
Daniel não começou a orar porque apareceu uma perseguição.
Daniel continuou orando.
A crise não criou a fidelidade de Daniel
Ela apenas revelou aquilo que já existia.
Daniel não se tornou fiel quando surgiu o decreto.
Ele já era fiel antes.
Não começou uma vida de oração quando os leões apareceram.
A oração já fazia parte da sua rotina.
ANTES DO DECRETO
Daniel orava.
DEPOIS DO DECRETO
Daniel continuou orando.
ANTES DA AMEAÇA
Daniel era fiel.
DIANTE DA AMEAÇA
Daniel permaneceu fiel.
A cova dos leões não construiu a fidelidade de Daniel. Apenas tornou visível aquilo que ele já praticava no secreto.
E nós?
É comum imaginarmos nossa fé em grandes cenários.
“Eu nunca negaria Jesus.”
“Eu enfrentaria qualquer perseguição.”
“Se fosse necessário, daria minha vida por Cristo.”
Talvez.
Mas existe uma pergunta anterior:
O que estamos fazendo com as pequenas oportunidades de fidelidade que já temos hoje?
Porque antes de uma grande prova existirão centenas de pequenas escolhas.
Você morreria por Jesus...
...mas mente para escapar de uma consequência?
...mas quebra sua palavra quando cumprir fica inconveniente?
...mas fica com aquilo que sabe que não pertence a você?
...mas esconde um erro para proteger sua imagem?
...mas escolhe aquilo que é mais vantajoso mesmo sabendo que não é correto?
Essas perguntas parecem pequenas perto de uma cova cheia de leões.
Mas é justamente aí que a fidelidade começa a ser formada.
Fiel no pouco
Jesus ensina em Lucas 16:10:
“Quem é fiel no pouco também é fiel no muito.”
Nós frequentemente queremos separar as grandes decisões das pequenas.
Deus não faz isso.
A maneira como você administra aquilo que parece pequeno revela muito sobre aquilo que fará quando algo maior estiver em jogo.
NO PEQUENO
NO GRANDE
Dizer a verdade
Permanecer firme sob pressão
Cumprir a palavra
Sustentar convicções
Admitir um erro
Assumir consequências
Agir corretamente sem ninguém ver
Permanecer fiel quando todos estiverem olhando
Obedecer quando custa pouco
Obedecer quando custa muito
A fidelidade no muito começa sendo treinada no pouco.
O troco errado também é uma decisão espiritual
Imagine algo muito simples.
Você compra alguma coisa.
Na hora de devolver o troco, a pessoa entrega dinheiro a mais.
Ninguém percebe.
Você percebe.
E agora?
Talvez seja uma quantia pequena.
Talvez você pense:
“A empresa nem vai sentir falta.”
Mas a pergunta não é quanto dinheiro está envolvido.
A pergunta é:
“Quem eu decido ser quando ninguém está me obrigando a fazer o que é certo?”
Isso é fidelidade.
E quando seria mais fácil mentir?
Você comete um erro no trabalho.
Ninguém viu exatamente o que aconteceu.
Existe uma explicação conveniente que poderia tirar sua responsabilidade.
Você pode mentir.
Pode omitir.
Pode transferir a culpa.
Ou pode dizer:
“Eu errei. A responsabilidade foi minha.”
Isso pode custar alguma coisa.
Sua imagem.
Seu orgulho.
Talvez até dinheiro.
Mas fidelidade frequentemente custa alguma coisa.
O caminho conveniente pergunta:
“Como eu saio dessa situação?”
O caminho da fidelidade pergunta:
“Como eu honro a Deus nessa situação?”
Integridade é quem você é quando ninguém está vendo
Existe uma grande diferença entre reputação e caráter.
Reputação é aquilo que as pessoas pensam sobre você.
Caráter é quem você realmente é quando elas não estão olhando.
Daniel tinha os dois.
Os homens investigaram sua vida esperando encontrar alguma falha que pudesse destruí-lo.
Não encontraram.
Isso não significa que Daniel fosse perfeito.
Significa que havia uma coerência visível em sua maneira de viver.
Fidelidade não é construir uma imagem de pessoa correta. É escolher o que é correto mesmo quando ninguém saberá da sua escolha.
Deus vê o secreto
Nós vivemos em um tempo em que muitas coisas são feitas para serem vistas.
Servimos e queremos registrar.
Ajudamos e queremos contar.
Fazemos o correto e esperamos reconhecimento.
Mas Jesus nos ensina repetidamente sobre o valor do secreto.
Existem escolhas que talvez ninguém nunca descubra.
Ninguém saberá que você devolveu.
Ninguém saberá que recusou.
Ninguém saberá que poderia ter mentido, mas falou a verdade.
Ninguém saberá que fechou uma porta porque sabia que aquilo não agradava a Deus.
Mas Deus sabe.
E isso precisa ser suficiente.
Não viva esperando a grande oportunidade de provar sua fé
Talvez você nunca precise enfrentar uma cova de leões.
Talvez nunca esteja diante de uma situação em que alguém diga:
“Negue Jesus ou morra.”
Mas hoje provavelmente você terá alguma oportunidade de escolher entre:
verdade ou mentira;
obediência ou conveniência;
integridade ou vantagem;
fidelidade ou facilidade.
Não precisamos esperar uma grande perseguição para provar nossa fé. A vida já está nos oferecendo pequenas oportunidades todos os dias.
O extraordinário nasce no cotidiano
Quando lemos Daniel 6, nossos olhos naturalmente vão para os leões.
Mas talvez o ponto mais importante da história tenha acontecido muito antes deles.
Aconteceu em dias normais.
Quando Daniel acordava e orava.
Quando ninguém o perseguia.
Quando não existia decreto.
Quando nenhuma grande história estava acontecendo.
Um dia.
Outro dia.
Outro dia.
Três vezes por dia.
Fiel.
Fiel.
Fiel.
Até que chegou um dia extraordinariamente difícil...
E Daniel simplesmente fez aquilo que já vinha fazendo.
Grandes decisões de fidelidade normalmente são resultado de pequenas decisões de fidelidade repetidas durante muito tempo.
Não diga apenas que morreria por Jesus
Viver por Jesus pode ser muito menos dramático.
E justamente por isso, muitas vezes, é mais difícil.
É viver por Ele:
quando você poderia mentir e escolhe a verdade;
quando poderia guardar mágoa e escolhe perdoar;
quando poderia ser desonesto e escolhe integridade;
quando poderia quebrar sua palavra e decide cumpri-la;
quando ninguém saberia que você pecou, mas você decide obedecer mesmo assim.
Talvez a pergunta não seja:
“Você morreria por Jesus?”
Talvez seja:
“Você viverá por Ele hoje?”
A fidelidade não começa quando todo mundo está olhando
Ela começa quando ninguém está.
Antes da plataforma.
Antes da perseguição.
Antes da grande decisão.
Antes do momento em que tudo está em jogo.
Você não se prepara para ser fiel em um grande dia fazendo grandes discursos. Você se prepara sendo fiel nos dias comuns.
Vamos orar?
“Senhor Deus, muito obrigado porque o Senhor é bom, soberano e fiel à Tua Palavra. Perdoa-me pelas vezes em que disse que faria grandes coisas por Ti, mas falhei nas pequenas oportunidades do cotidiano. Ensina-me a ser fiel quando ninguém estiver vendo, sem refletores, sem reconhecimento e sem plateia. Dá-me coragem para falar a verdade, assumir meus erros, cumprir aquilo que prometi e escolher o que Te agrada mesmo quando isso não for vantajoso para mim. Que minha fé não exista apenas nas palavras, mas seja visível nas decisões que tomo todos os dias. Ajuda-me a viver por Jesus em cada pequena escolha. Em Nome de Jesus. Amém.”
Desafio do dia
Hoje, faça um ato concreto de fidelidade a Deus no secreto.
Talvez você precise:
→ devolver alguma coisa que não é sua; → cumprir uma promessa que vem adiando; → reconhecer um erro sem tentar se justificar; → falar a verdade em uma situação desconfortável; → corrigir uma atitude que ninguém havia percebido; → fazer o que é certo mesmo sabendo que ninguém vai elogiar você.
Não procure uma grande oportunidade para provar sua fé.
Use a oportunidade que Deus já colocou diante de você hoje.
DANIEL NÃO SE TORNOU FIEL DIANTE DOS LEÕES.
ELE CHEGOU DIANTE DOS LEÕES SENDO FIEL.
A pergunta não é apenas se você morreria por Jesus algum dia.
A pergunta é se você está disposto a viver por Ele hoje.
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E não se esqueça: DEUS É BOM!